POR Conrado Cacace 29/12/2016 - 10h27

Real Madrid é o cazzo. Aqui é Palmeiras

O ano que vem chegou e já está quase no fim; 2009 finalmente foi exorcizado e o Palmeiras é o time a ser batido no Brasil. O sonho que perseguimos por tantas temporadas virou realidade e 2017 se aproxima para tentarmos voos ainda mais altos: a Libertadores e o Mundial, sem perder de vista as taças nacionais, das quais somos disparados os maiores vencedores. Parece consenso que se chegarmos ao final de 2017 “apenas” com um troféu estadual, a sensação será de fracasso.

Esta sensação de poder não vem apenas das conquistas da Copa do Brasil/15 e do Brasileirão/16. O Palmeiras também mostra muita força fora de campo, liderando os rankings de arrecadação e comandando o mercado de contratações apoiado num estádio magnífico e numa torcida que parece não ter limites. Enquanto os reforços de destaque dos grandes clubes brasileiros são (ou tendem a ser) jogadores como Jô, Leandro Donizeti, Escudero(!) e Marcelo Moreno, o Palmeiras trouxe, além de grandes destaques do Brasileirão, o melhor jogador da última Libertadores, o venezuelano Alejandro Guerra, e segue em tratativas para outros reforços de bastante peso.

Todo este potencial, a despeito de duas engrenagens fundamentais ainda não terem sequer começado o trabalho – o técnico Eduardo Batista e o auxiliar Claudio Prates – induzem a mídia, em sua sanha por polêmicas vazias, a colocar sobre os ombros do Palmeiras uma carga mais pesada do que a que queremos carregar. E o fazem sem nenhuma referência elogiosa. A imprensa, sabemos, traz consigo há muitas décadas um odioso ranço contra nosso clube; quando levantamos voo, as constatações irrefutáveis de superioridade ganham tintas de desafio e não de reverência.

Um tweet de um inexpressivo perfil colombiano com pouco mais de 100 seguidores, repercutindo uma suposta fala de um suposto jornalista chamado “Andew Figueroa”, despretensiosamente comparou o Palmeiras ao Real Madrid:

A comparação seria justificada pelo fato do Palmeiras, segundo a sequência de tweets, ter coberto ofertas do Sevilla e do Benfica pelo atacante Borja – algo que não se confirma – usando a receita da venda de Gabriel Jesus ao Manchester City. Obviamente não poderia ser uma comparação absoluta devido à abissal diferença entre as realidades financeiras de Brasil e Espanha.

Mesmo assim, alguns torcedores palmeirenses usaram o tweet para tirar uma onda na rede social, até a galhofa chegar a nossos desocupados jornalistas, provavelmente fartos de cobrir peladas beneficentes de fim de ano. Foi então que aquele canal resolveu alavancar sua audiência e usou o tema para justificar para a chefia a compra de custosos hardwares e aplicativos gráficos. Eles realmente tiveram o desplante de fazer uma covarde comparação entre os elencos de Palmeiras e Real Madrid – incluindo no exercício jogadores que não estão sequer contratados, como Felipe Melo.

Felizmente o grosso de nossa torcida não comprou a palhaçada. Com exceção de um ou outro mais empolgado, a reação dos palmeirenses foi de repúdio.

Vivemos um momento excepcional. Os torcedores rivais assistem aos movimentos dos bastidores e, tal como nós, vislumbram um 2017 pintado de verde e branco. A desesperança naturalmente dispara seus mecanismos de defesa e, transbordando de inveja, promovem ataques descabidos ao Palmeiras contestando, entre outras coisas, nossas glórias do passado e a origem de nossos recursos atuais.

Será excepcional se nossa torcida mantiver a postura madura e continuar lidando bem com a superioridade, sem cair na pilha de querer provar o que já está provado ou de entrar em debates vazios, ao mesmo tempo em que aceita a condição de favorito às maiores conquistas do ano sem cair na quase irresistível tentação do já-ganhou.

O Palmeiras é o Palmeiras, o Barcelona é o Barcelona e o Real Madrid é o Real Madrid. Cada um em seu quadrado. Não temos ainda (e provavelmente as realidades econômicas dos dois países jamais permitirão) a menor condição financeira de ter um time que fizesse de forma equilibrada uma hipotética disputa num campeonato de pontos corridos com as grandes potências europeias.

Mas podemos, sim, assumir o protagonismo, disputar a Libertadores como favoritos e, em caso de conquista, irmos para o Mundial bater forças com um grandão, seja quem for. Dentro do campo, já diz o chavão, são onze contra onze e não tem ninguém pra brincadeira aqui. Nós não somos o Real Madrid: AQUI É PALMEIRAS, CAZZO!

***

Em tempo: no confronto direto entre Palmeiras e Real Madrid, dá Verdão. Confira aqui a lista de jogos.

   



COMENTÁRIOS